terça-feira, 22 de outubro de 2013

Mais Médicos, menos corrupção

Como resultado das manifestações de 2013 a presidente do Brasil, Dilma Roussef, selou alguns compromissos com relação a saúde no Brasil. Dentre eles mais vagas nas universidade de medicina e residência, aumentou em 2 anos a faculdade de medicina, mais estrutura e mais médicos. Diante da falta de médicos, amplamente noticiada e constatada pela população diariamente, foi lançado o Programa Mais Médicos, a medida mais polêmica de todas.
Em um primeiro momento foi feita a chamada de médicos brasileiros que gostariam de trabalhar em lugares com falta de médicos. Como estes não completaram as vagas, foram então chamados estrangeiros. Dentre os estrangeiros , dois mil médicos vieram da ilha de Cuba. Com a vinda de estrangeiros começaram então duas grandes discussões: sobre os registros profissionais e a forma de pagamento. Os Conselhos Regionais de Medicina exigiam dos estrangeiros a comprovação de diplomas e que sabiam a língua portuguesa. Além disso, viam na forma de pagamento aos médicos cubanos um grande problema: o salário de R$10 mil não seria dado ao médico, apenas R$700. O restante seria enviado a Cuba, ou seja, não seria um benefício ao profissional e sim ao regime socialista.
Ainda no âmbito das polêmicas, universitários ficaram insatisfeitos com a resolução do aumento de 6 anos para 8 anos de faculdade. A ideia era que em dois anos o estudante trabalhasse na Saúde Pública, para aprender os problemas da comunidade. Muitos estudantes, porém, alegam que isso já acontece, desde o primeiro ano da faculdade, pois as universidades são ligadas a hospitais que atendem o Sistema Único de Saúde. Os professores dizem que não há logística para supervisionar mais anos de universidade. Profissionais ligados a saúde ainda observam que a melhoria das estruturas não está sendo levada a sério. Afirmam que não há médicos em pequenas cidades afastadas pois há falta de remédio, material básico de atendimento e até mesmo unidades de saúde precárias. Em condições insalubres um óbito seria de grande chance, resultando em consequências diretas ao médico. Situação que os médicos estrangeiros já estão começando a viver.
A situação da saúde no Brasil é um processo histórico de descaso, onde as taxas tributárias são grandes, mas os benefícios nem tanto. Temos em tese um dos melhores Sistemas de Saúde do mundo, cobrindo exames e problemas de saúde, dando remédios, que em outros países não é possível. O grande problema do país é ainda a logística administrativa. Seriedade no investimento de recursos, pensar a longo prazo, sem desvio de verba. O problema da saúde não está somente no profissional, é uma doença chamada corrupção.

Jovens e manifestações de 2013

Quando a pressão econômica, desigualdade, exploração e corrupção começam a pesar na população, a saída, já historicamente assinalada, é se revoltar. A História é cíclica e certas nunces dos problemas que o Brasil enfrenta são velhas conhecidas. Durante o Brasil Colônia várias guerras e revoltas aconteceram motivadas por desigualdade, ou durante as opressões militares. As mais recentes revoltadas que constam na história brasileira foram as Diretas já (1983-1984), exigindo eleições presidenciais, dos Caras pintadas (1992), pedindo o impeachment do ex-presidente Collor diante de corrupção, e as manifestações de 2013.

Em comum as últimas tiveram grande adesão da juventude, movimentos estudantis. As manifestaçõs de 2013, porém, levantavam uma pauta de reinvindicações diversas: transporte estudantil, mais saúde, melhoria na educação, contra corrupção, inflação. Foi como uma panela de pressão que resolveu explodir. Milhares de pessoas foram as ruas protestar contra o que lhe era a gota d'água. O fruto que colhemos no século XXI, plantado ao longo de mais de 500 anos de história: desigualdade, corrupção, elites exploradoras, falta de comprometimento sério com o país.

Há também de se comentar a grande e marcante característica das manifestações de 2013: a mobilização via redes sociais. E a partir delas centenas de jovens se mobilizaram, leram, discutiram, lembraram fatos históricos, promessas de campanha, interrogaram a situação. Hackers derrubaram sites de grandes corporações, como se fossem Bastilhas virtuais. A massa foi para a rua, e os meios de comunicação de massa, no começo, não conseguiam entender, o que estava acontecendo. É a história, bebendo do passado, juntando pontos do presente, tentando construir um futuro diferente. E pelos relatos históricos, realmente, a única saída é gritar: "segurança, saúde e educação".