quinta-feira, 26 de julho de 2012

Por que se odeia o MST?


Não há nada de errado pensar a Reforma Agrária como uma Reforma de Terras, onde desfavorecidos, camponeses ou não, serão beneficiados. Isso não é uma afronta, é apenas um lado das grandes versões da história e sociedade em que vivemos. Não se pode analisar os problemas da terra do alto do pedestal urbano, achando que os problemas como violência urbana, a fome (que sim, existe), estão longe da calçada de casa, e estão sumindo dos gráficos da revista Veja.
Dados de pesquisas podem muito bem ser manipulados, existem várias mentiras que foram contadas com verdades. Grande parte da população, mais de 70% segundo pesquisas, tem uma imagem negativa do MST, por exemplo. E por quê? Porque o que conhecemos vem da mídia, de terceiros, de professores, do vizinho. Ninguém andou até uma um acampamento e foi ouvir a história das pessoas, nem os jornais! Ninguém gosta de ser julgado pela roupa que veste, mas julgar um movimento e seus integrantes, todos julgam. O MST luta pela agricultura rural, totalmente afogada pelos grandes agricultores. E como alguém diz que a agricultura familiar não tem importância? Já ouviu falar em cooperativa? Grande parte do leite que consumimos vem de cooperativas, muitas delas formadas por ex-trabalhadores sem-terra.
A agroindústria não atende a todas as necessidades, e isso é observado pelo mundo. A Via Campesina é um movimento mundial de camponeses, provando que problemas referentes à terra não são exclusividade do Brasil. Claro que a América Latina possui uma grande concentração de terra, muitas vezes controladas por multinacionais.
O alinhamento do MST e as discussões da reforma agrária começam em 1985 com a organização de trabalhadores rurais empobrecidos, que se uniram e tiveram o apoio da Associação Brasileira de Reforma Agrária, do PT e da Igreja Católica (no interior as pessoas se reúnem na Igreja, é só ter convivência com famílias interioranas pra saber que você vê seu vizinho aos domingos e o padre é quem reúne as famílias. E não há nada de mancomunações altamente planejadas de como manter vocações e gente lutando pela terra). E desde então os grandes proprietários é que vencem a batalha.
Se existe a necessidade de uma Reforma Agrária, essa é gerada pelo capitalismo, que prova a desigualdade, expulsões e expropriações da parte mais fraca: os pequenos proprietários. A maneira dos sem-terra lutarem pelo que um dia lhes foi tirados é resistindo. E tentaram resistir, seja durante a ditadura militar ou ao agronegócio e a agroindústria.
Durante o segundo mandato de FHC houve grande repressão aos sem-terra. E a partir das políticas neoliberais do ex-presidente, o desemprego rural aumentou ainda mais, e mais pequenos produtores faliram. Falando em FHC, ele criou uma forma de mandar quem incomodava pra bem longe: o plano Amazônica Legal. Dá pra imaginar onde ele resolveu assentar os trabalhadores sem-terra: bem longe de qualquer porto, centro urbano e área competitiva. Aos camponeses resta lutar, por terras que resultem em competitividade diante de grandes latifundiários e tecnologias avançadas no campo. Quando o Governo vai atender aos menos favorecidos, desagradando multinacionais, grandes proprietários de terras (que muitas vezes são os próprios políticos), é provavelmente um sonho distante. E por isso é admirável a luta desses movimentos campesinos. 

quarta-feira, 18 de julho de 2012

O problema da mulher no Brasil


As questões relativas à mulher contemporânea começam com o machismo milenar, atravessam a seara doméstica e passam pela saúde pública. Simone de Beauvoir, em o Segundo Sexo, já analisou a dependência histórica da mulher em relação ao homem, como se dele fosse escrava e dependente. A condição do que é ser mulher estaria sempre atrelada ao que o homem impõe como característica, dever e predicativos de ser mulher. As mulheres deveriam ser a Amélia de Roberto Carlos, poderia ser qualquer Maria, ou a Janaina, do Biquini Cavadão, que acorda todo dia às quatro e meia. Mãe, mulher, trabalhadora do lar sem reclamar e, hoje, trabalhando fora de casa.
A mulher atual é uma máquina, é uma multiplicação de seres perfeitos, que sorrindo devem realizar com maestria todas as obrigações. Pois hoje são donas de casa, mães e quem sustenta a casa. E ainda, diante de tantas tarefas múltiplas, há quem tenha a ousadia de reclamar que são frias, ou ainda, que estão se tornando independentes demais. E esses ataques provem do machismo enrustido na mentalidade da sociedade, e configura-se sim, uma violência contra a mulher.
A violência contra a mulher não se restringe a agressão física e sexual, mas a psicológica e moral também. Muitos maridos  - sim, maridos e companheiros são considerados agressores e não somente desconhecidos – aterrorizam, humilham e ameaçam mulheres e filhos, seja economicamente, sentimentalmente. Muitos homens ainda não entendem que não é obrigação da mulher fazer sexo quando não deseja: o corpo da esposa, é da esposa, não do marido. E tentar violar essa vontade é considerado estupro.
Ponto polêmico, e que sofre preconceito diante de visões ligadas exclusivamente a religião: o aborto. Os abortos acontecem, seja pela mãe não poder criar o filho devido situação financeira, ou a jovem que não tem estrutura emocional. Os motivos são muitos, e o número de abortos também. Remédios abortivos e métodos cruéis fazem vítimas sem instrução. 220 mil curetagens são feitas por ano na rede de pública em decorrência de abortos. Pesquisas apontam que uma, em cada cinco brasileiras, até os 40 anos de idade, interrompeu ao menos uma gravidez na vida. E metade teve complicações.
A Marcha das Vadias, que aconteceu em várias capitais recentemente, traz à luz esses problemas. Estão gritando aos nossos olhos e batendo às nossas portas a falta de respeito com a mulher, a ignorância de muitas com seu próprio corpo, saúde e direitos. O mundo está mudando, as condições nos lares, os deveres, então, que os direitos também acompanhem essa mudança. Que a consciência do homem seja direcionada ao respeito à mulher. Como estava em cartazes da Marcha das Vadias: “Não diga como devemos nos vestir; diga aos homens para não estuprarem" .

sábado, 14 de abril de 2012

Eu sei que dançar é legal, mas tenha paciência! Essa porcaria de “Que isso novinha?” (e derivadas) é um desserviço terrível a saúde pública, ao bem estar da mulher e as conquistas femininas. Vem esse Mc Saed – que tem a pachorra de declarar que está há anos aí na luta – com uma letra machista, porca, cretina e pedófila, contando sobre a novinha que ele pegou. Ah! Claro, tem quem curta, ame, adore e até comemore gol com ela. E teve a novela da Globo, também, com a versão mini funkeira, abrindo espaço para uma série de discussões.

E isso é muito mais sério do que o Rafinha Bastos falando do filho da Wanessa!

Mais de cem mulheres são agredidas a cada hora no Brasil. Cem mulheres por hora. A cada dois minutos, cinco mulheres sofrem com a violência no país. No trabalho, em casa, são diminuídas. Mulheres constantemente temem pela segurança, vide caso do estuprador de Curitiba que violentou 12 mulheres e foi preso essa semana.

Acho que o mundo já é cruel e machista o bastante. Além do mais, esse tipo de música incita a pedofilia e a sexualização de meninas, como dizer, novinhas, que acham que devem agir não como uma menina (que vai para a escola, estuda, brinca), mas como a menina da música (que se insinua para o homem). E só para constar, 28% das entradas em hospital públicos são relativos a gravidez de adolescentes. E sabe-se, também, que muitas tentam abortos clandestinos, e morrem. A culpa das meninas engravidarem não é do Mc Saed. Nem do governo ou da Globo. Mas quem não ajuda, trata de não atrapalhar né!

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Jeitinho brasileiro grita gol

O chute na bunda que o Brasil está precisando, segundo o secretário geral da FIFA, Jérôme Valcke, foi atribuído deselegantemente e indevidamente. Quem mereceria um chute não é a nação, e sim o jeitinho brasileiro, que vem vestido de terno e gravata, deixa tudo para ultima hora, já prevendo um super faturamento e desvio de verba, promovendo atrasos.

O deputado federal, Romário, ex-jogador de futebol, já anunciou que a Copa será o maior roubo da história do Brasil. As doze cidades-sedes estão com obras atrasadas. Muitas decisões dependendo de aprovações legais – como a Lei Geral da Copa. Um dos exemplos é a venda de bebidas alcoólicas nos estádios, proibida no Brasil, mas prevista na Lei Geral da Copa. Por hora, em Curitiba, o vereador Tico Kusma defende a não comercialização, pois é uma medida preventiva da nação. Outros defendem que a Copa deve ser tratada como evento à parte, portanto, tendo a permissão para bebidas, a exclusão de meia-entrada para estudantes.

Provavelmente, na briga entre os patrocinadores e as leis federais, o capital externo vai ganhar. Por mais que o Brasil venha com uma política de restrição de bebidas e liberação de meia-entrada, ao se fechar aos patrocinadores, o chute na bunda será dolorido.

Resta ao Brasil superfaturar licitações e obras, chamar as Forças Armadas para conter as torcidas alcoolizadas no trânsito caótico, com falta de táxis. E claro, pintar o rosto de verde e amarelo.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Lembrar para as eleições municipais


Sobre a entrevista com o prefeito de Curitiba, Luciano Ducci, e o governador do Paraná, Beto Richa, sobre a greve dos motoristas e cobradores de ônibus, e uma possível greve dos policiais no Estado, no Paraná TV primeira edição da quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012.


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

As greves que calam o cidadão

Os curitibanos têm acompanhado as greves das polícias do Rio de Janeiro e Bahia - que por sinal resultaram em mortes e problemas para o cidadão. Também acompanharam a greve de bombeiros. Mas, enquanto o problema não chegava por essas bandas, tudo dentro dos conformes. Claro que um Carnaval sem policiamento seria um problema para turistas. Mas, em Curitiba, Carnaval e polícia andou gerando problemas -ainda estão discutindo se a polícia foi extremamente violenta com os foliões no Largo da Ordem ou foi uma ação normal.
Há alguns dias, Curitiba, e até Região Metropolitana, têm sofrido com corte de água. Calor excessivo e obras resultaram em algumas horas com corte de abastecimento. Mas ainda era possível ser feliz.
Mas, nesta terça, 14 de fevereiro, Curitiba acordou sem ônibus. Motoristas e cobradores reivindicam aumento de salários e outros benefícios. Agora sim, pisaram no calo do curitibano. Não somente aquele que já paga R$2,50 pela passagem, mas até quem vai ao trabalho de carro e se viu em uma situação pior (do que já é normalmente), rodeado de congestionamentos.
O cidadão reclama, com razão. A segurança é insegura, os abastecimentos de água e luz são caros, o transporte público é caro e custa, para muitos brasileiros, a possibilidade de investir em outras necessidades.
O brasileiro tem direito a greve, assegurado pela constituição. Mas e se pensarmos diferente? E o direito de ir e vir da população? Sou a favor da greve, mas e se a paralisação não fosse a melhor maneira? E se um outro tipo de greve fosse muito mais eficaz? Será mesmo que o exemplo da Grécia é positivo, com tanta violência por todos os lados (professores, transporte, bancos e diversas categorias estão em greve)?
Algumas sugestões sempre aparecem: policiais e professores em greve trabalhando metade do tempo, ônibus rodando com catraca livre, população se juntar às demais classes trabalhadoras e sair às ruas. E se fosse greve geral?
Professores estão sendo maltratados ano após ano. E se os pais, alunos, todos os cidadãos que um dia sentaram em um banco escolar fossem às ruas? Adiantaria? O mundo pode parar? Pode! Mas o capitalismo grita, os políticos calam. As tarifas sobem e a cabeça do cidadão, cada vez mais, abaixa.

Observação 1: algumas centrais de táxis estão avisando que a espera por um pode levar 2 horas. E durante a Copa do Mundo hein? O trânsito precisa ser revisto, para ontem!
Observação 2: espera-se que as greves sejam motivo para melhoria das condições de trabalho dos policiais, bombeiros, motoristas, cobradores, professores. E, consequentemente, melhoria para a vida do cidadão. E que não sejam repassados mais gastos para o bolso do brasileiro.
Observação 3: cadê o prefeito Luciano Ducci trabalhando para resolver esse problema o mais rápido possível? A concessão do transporte público é privada, mas as autoridades precisam mostrar que não são eleitas somente para roubar em superfaturamento de obras, não é mesmo?